Literatura de cordel

Por: Ana Paula da Fonseca

livros de cordel

Olhando assim por alto parece um monte de livrinhos impressos em papel barato e vendido a preço de banana. O assunto? Ah, o assunto varia muito. Pode ser um fato real modificado para se tornar engraçado, pode ser uma pessoa ilustre, pode ser uma história imaginaria, pode ser histórias da região, histórias irônicas, sarcásticas, engraçadas, romances… etc. Mas sempre trazem poemas ou histórias rimadas que até podem ser cantadas.

O mais interessante é como esse tipo de literatura recebeu esse nome, ela foi trazida por nossos colonizadores, os portugueses (oralmente) se tornando escrito a partir do século XVI… esses simples livretos foram inscritos nesses papéis baratos para facilitar o acesso à leitura, sendo mais barata a compra. Além de serem pequenos – chegando de 8 a 16 páginas – tinham também os romances em que eram muito raros chegando a 64 páginas e costumam medir 11x16cm.

livros de cordel

Fontehttp://cocada-preta.blogspot.com.br/2011/11/literatura-de-cordel.html

Enfim, vamos voltar em como se deu a esse nome “Literatura de Cordel”. Esses livretos eram normalmente escritos em rimas e normalmente vendidos por seus escritores ou até mesmo vendedores em feiras, que vivem de canto em canto a procura de melhores vendas. Como os cordéis eram levados dentro das malas e não podiam levar estantes, o vendedor passava uma corda, uma espécie de barbante (o cordel), de um tronco de árvore a outra  e colocava os livrinhos abertos na página central e em dias de ventania colocavam-se os prendedores de roupa. Daí surgiu o nome Literatura de Cordel.

o varal

 Fonte: http://murderiseverywhere.blogspot.com.br/2013_09_01_archive.html

Outro fato curioso seria a forma em que o vendedor encontrou de chamar a atenção dos compradores. Normalmente, o vendedor pegava o livro mais famoso e com seu violão começa a “cantar” a história, atraindo uma roda de interessados, porém no clímax da história o vendedor parava de cantar atiçando a curiosidades dos telespectadores e quem tivesse curiosidade que comprasse o cordel. E logo o vendedor pegava outro livro e continuava a declamar, de modo que vendia centenas em um só dia.

Fontehttp://portal.ifrn.edu.br/campus/saogoncalo/noticias/campus-sao-goncalo-realiza-exposicao-na-cantada-do-cordel

O cordel teve maior influência no Nordeste e por se tornar uma literatura respeitada ganhou uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel, localizada no Rio de Janeiro. Possuem até mesmo uma cordeoteca na biblioteca Amadeu Amaral com um acervo com “cerca de oito mil trezentos e um mu cadinho” como disse Maria Rosário Pinto, responsável pela biblioteca. Eu já ia me esquecendo de falar que esses desenhos feitos nas capas dos cordéis ou até mesmo dentro deles são criados em xilogravura.

Fonte:http://www.essaseoutras.xpg.com.br/tudo-sobre-literatura-de-cordel-historia-principais-escritores-foto/

Como eu havia dito, essa literatura foi mais forte na região nordeste e trago aqui um cordel que foi vencedor no prêmio Gam de literatura no Grajaú-Ma, escrito por Marcos Paulo Corola:

Ao som das canções de ninar

                                                    “Marcos Carola”

Quando eu era um garotinho

Papai sempre vinha tocar

Com sua sanfona velhinha

Vinha sorrindo me embalar

Na minha rede quentinha

Cantava pra eu ninar.

Comecei ficar grandinho

Papai logo me ensinou

Todas canções de ninar

Que feliz sempre tocou

Na sua sanfona velhinha

Que tantas noites me embalou.

Me tornei um rapazinho

Também um grande sanfoneiro

Tocava junto de painho

Virava noite e dia inteiro,

Era forró,xote,baião

De janeiro a janeiro.

Porém o tempo foi passando,

Papai também adoecendo,

O corpo ficando cansado

Até que acabou adoecendo,

Homem tão forte como papai

Sobre uma cama perecendo.

Todas as manhas da sanfona

Me passou como herança

Pra ser tão grande sanfoneiro;

Era seu sonho sua esperança

Que muito famoso eu fosse

No Brasil todo e até na França.

Mas deitado naquela cama,

Parecia cada dia piorar

Tão grande homem sanfoneiro

Merecia mais tempo ficar

Junto do filho e da sanfona

E por muito tempo tocar.

Então numa certa manhã

Papai começou se despedir,

Peguei sua velha sanfona

Papai então começou sorrir,

Pois tocou tanto pra eu ninar

E eu tocava pra ele dormir.

Ao som da velha sanfona

Papai então adormeceu,

O sertão todo chorava,

Pois seu grande fruto morreu,

No seu ultimo suspiro…

Velha sanfona emudeceu.

Aqui está o site da Academia Brasileira de Cordel: http://www.ablc.com.br/

Deixo também um site com vários cordéis para baixar (gratuitos), entre eles A mulher roubada, O casamento do bode com a Raposa, A terrível história da perna cabeluda, etc.

 http://espacoeducar-liza.blogspot.com.br/2012/07/40-livros-gratuitos-de-literatura-de.html

Anúncios

Um comentário sobre “Literatura de cordel

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s